Dark Star (1974), de John Carpenter: Em seu primeiro longa, John Carpenter nos brinda com uma divertida e até mesmo poética (?) sátira de ficção científica. Levando em consideração que Carpenter ainda era um estudante de cinema e não tinha recursos para uma superprodução, Dark Star é no mínimo obrigatório para os fãs do diretor de Halloween, Fuga de Nova York e muitos outros filmes que de Horror, Ficção e Ação que constituem de uma característica própria do diretor. E tudo começou nesta pequena obra. Aliás, muitos detalhes de direção, misé en scene, que Carperter utilizaria em filmes posteriores podem ser conferidos em Dark Star como forma de experimentação. Um grupo de astronautas barbudos, tripulante da nave Dark Star, vaga pelo espaço destruindo planetas instáveis para a colonização espacial. Além de situações clichês de filmes de ficção (porém muito bem elaboradas), o filme mistura outras situações que, até então, não era muito observada em filmes de ficção como o cotidiano dos personagens. Os efeitos especiais toscos (que dão um charme e geram boas risadas), as idéias, a forma, os sons, as situações criadas dão ao filme um ar cult. Até mesmo um ser alienígena feito de uma bola de plástico consegue criar uma tensão sem deixar de ser bizarro e engraçado. Sem esquecer também da trilha sonora do próprio Carpenter, principalmente para dar o tom de suspense. O final pessimista é, ao mesmo tempo, libertador (a parte poética). Não teria o mesmo resultado se fosse feito hoje em dia com efeitos especiais de ponta.
Kaidan (1964), de Masaki Kobayashi: Um marco do cinema de horror oriental. A influencia é visível em vários filmes de hoje como O Chamado e O grito. Kaidan é baseado em quatro histórias de fantasmas escrito por Lafcadio Hearn. Além dos próprios contos em si (alguns realmente assustadores), é surpreendente o trabalho estético como locações estilizadas e cores fortes que saltam aos olhos. A direção é outro atrativo, principalmente no primeiro episódio. Masaki Kobayashi (Harakiri) exercita enquadramentos diferenciados e realiza uma movimentação de câmera bastante avançada para sua época. Um verdadeiro terror de vanguarda.
Sweet Seewtback’s Baadasssss Song (1971), de Melvim Van Peebles: Perfeito exemplar de cinema Grindhouse, Sweet Seewtback’s Baadasssss Song é um blaxplotation dirigido pelo grande diretor deste subgênero, Melvim Van Peebles, que é pai do ator Mario Van Peebles, que faz uma pequena participação aqui no papel do protagonista quando criança uando tinha apenas 14 anos numa impressionante cena em que tem reações sexuais com uma prostituta, aliás, uma das características do gênero é explorar o sexo e a violência para dar o ar subversivo que marcou a geração é isso é o que Sweet Seewtback’s Baadasssss Song tem de sobra. Sweetback, interpretado pelo próprio Melvim, é o rei pirocudo da mulherada e o calo da polícia que o persegue durante o filme inteiro até nos confins do interior americano numa jornada frenética de seqüências de imagens experimentais que só acabam com o desfecho alucinante do filme. O diretor experimenta de tudo em termos de direção, mas principalmente em edição onde procura adicionar todos os artifícios possíveis de uma ilha para dar ritmo sempre acompanhado de uma psicodélica black music do inicio dos anos setenta.
Martin (1977), de George Romero: Filme seco e bem objetivo. Sem enrolar, Romero conta a história de Martin, um jovem que vai morar na casa de um tio. Este acredita de pés juntos que Martin é um perigoso Vampiro com mais de cem anos. Coloca Alho nas portas, chama um padre para exorcizar o pobre rapaz e no final parte pra ignorância. Apesar da superficialidade do roteiro, Martin tem seus momentos virtuosos e criativos e se estrutura no clima de suspense que o diretor cria. Nota-se uma economia de recursos, mesmo assim, Romero não nos poupa de uma boa dose de violência e muito sangue. O filme merecia maior destaque entre os filmes do diretor.

She Killed in ecstasy (1971), de Jess Franco: O ponto de partida aqui – e que impulsiona toda a projeção – é a vingança. Após a rejeição de seu experimento por quatro cientistas, o desespero e o suicídio deram cabo do Dr. Johnson. Sua esposa, que passou todo o sofrimento ao seu lado, toma a decisão de matar todos que foram responsáveis pela morte de seu conjugue. She Killed in Ecstasy acompanha os passos da viúva em busca de vingança interpretada pela bela Soledad Miranda, uma das musas de Jess Franco. Ela é a vingança, o ecstasy natural que motiva a cometer tais crimes. É ótima atriz também. Sempre expressiva e nua a maior parte do tempo, o que é normal nos filmes do diretor que, apesar do excesso de zoom, colhe alguns enquadramentos interessantes como na lésbica cena em que a protagonista coloca o copo na frente da câmera. Os cenários vintage do início dos anos setenta são bem explorados, assim como o jazz que auxilia no ritmo, dando um aspecto puramente plástico-sonoro à obra de Franco, um dos cineastas malditos, mestre de estilo único e desconhecido completamente da nova geração de cinéfilos.
7 comentários:
Não vi nenhum desses filmes ainda, hehehe (tem muiiita coisa que preciso conhecer). O do Carpenter e o do Romero eu pretendo assisti-los um dia porque gosto deles, o "Kaidan" deu muita vontade de assistir pelo que você escreveu, parece ser realmente muito bom. O do Melvim Van não tenho curiosidade porque não sou muito fã de filmes blaxplotation, e acho que me enquadro nos cinéfilos da nova geração que não conhecem as obras do Jess Franco, hehe.
Um abraço!
Grandes dicas!
Curti o She Killed in Ecstasy e do Martin, do George Romero. Assim que encontrar (o díficl é isso acontecer) vou assisti-los.
Só vi MARTIN, que é um dos meus filmes favoritos do tio Romero. Todos os outros comentados devem ser demais. Pena que meu feriado não rendeu como eu gostaria em termos de filmes, nem mesmo fui ao cinema...
Abração.
Fiquei curioso qnt ao primeiro filme, tem em DVD?
Não, infelizmente...
Num vi nenhum...
Esse Dark Star é interessante por ser o primeiro trabalho de Carpenter, ainda estudante de cinema!
Kaidan é uma boa dica, estava a procura de um terror oriental dos bons!
Sweet Seewtback’s Baadasssss Song (o nome diz tudo...rsrs) e Martin são sugestivos a uma conferida desprentensiosa, pelo menos para mim que não conheço a risa o cinema de Romero, por exemplo!,
abrço!
Tem como alguém me ajudar a comprar todos os filmes do maior de todos Jess Franco, anjo-solo@hotmail.com
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